A Caridade e a Religião

Um ponto muito criticado, especialmente pelos céticos, é a “caridade compulsória”, principalmente em religiões evangélicas através do pagamento do dízimo. Porém a questão que aparenta simplicidade na análise e denota uma forma de explorar a população tem em si alguns argumentos convincentes para os quais se faz necessária alguma análise.

Podemos ver a questão da religião por óticas diferentes, eu pessoalmente sempre acreditei no discurso de Karl Marx (Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, 1843) no qual o autor expõe da seguinte forma: “A religião é o ópio do povo” (“Die Religion Sie ist das Opium des Volkes“), porém diferente deste vejo alguns pontos importantes a respeito da religião. Como Voltaire nos coloca “se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo”, a religião é uma necessidade humana, todo o indivíduo anseia por um exemplo maior, uma força maior que si, algo que lhe dê uma direção, um sentido, e este deve ser uma criatura superior para lhe impingir a força da superação e a moralidade necessária para a vida em sociedade. Então o “ponto 1” seia a ótica humana, o desejo por espiritualidade que vemos hoje maior do que antes, diariamente mais e mais pessoas buscam SUA espiritualidade, mesmo fora das religiões.

A religião também se faz necessária pela ótima da biologia (“ponto 2”), sendo que através da oração, meditação e contemplação há uma liberação de serotonina, um neurotransmissor responsável pela liberação de hormônios responsáveis pelo prazer, que relaxam o indivíduo e lhe tiram o peso das preocupações, levando-o a uma forma mais passiva. A crítica a este efeito é grande moralmente, mas vemos a necessidade de uma forma de relaxar na sociedade, sendo a religião uma “droga” cuja a possibilidade de dependência é pequena e que não traz males como cirrose ou câncer. O que alguns buscam em drogas, a religião oferece. O extase religioso é outro ponto de interesse na biologia, o estado contemplativo superior, onde o indivíduo transcende o corpo e as limitações, podendo permanecer nesse estado sem necessidade de água ou comida até por dias.

E finalmente chegamos ao nosso “ponto 3”, a religião pela ótica capitalista. Pela máxima capitalista, se há uma necessidade há oportunidade! Se há a oportunidade por que não aproveitar? Sendo a religião (e a crença em um deus) benéfica a organismo e ao indivíduo por que não dar a ele? O problema é a forma esploratória, retirando parte do ganho deste objetivando apenas o benefício do explorador.

Encontramos hoje religiões formadas pelas três óticas, religiões que fazem pelo espiritual, outras pelo benefício ao organismo e por fim várias que o fazem apenas pelo capitalismo. Mas um ponto em comum em todas elas é uma forma de contribuição, sendo o valor baixo ou alto, dependendo apenas de qual ela é, o benefício é o mesmo, mas os valores variam. E como vemos, cada indivíduo é diferente e sua busca pela espiritualidade é diferente também, sendo que há uma enorme diversidade de religiões para todos os gostos e bolsos, sendo necessário apenas uma rápida pesquisa para encontrar aquela que melhor se adequa a sua necessidade (ou bolso).

Sendo organizações basicamente “espirituais” por que da cobraça? Simples, infelizmente mesmo a mais espiritualizada das religiões está inserida no nosso mundo material, e aqui as coisas tem preços, se é necessário um local para reunir os fiéis, ou um livreto com os rituais necessários a serem aprendidos, tudo isso tem de ser fabricado e tudo tem custos. É raro encontrar um fiel caridoso o suficiente para realizar a doação dos materiais, e mesmo assim é necessária mão-de-obra, e assim por diante, sempre gerando custos à organização (igreja, etc) e infelizmente as empresas de energia elétrica, telefone e água também não são caridosas. Apesar da isenção de impostos, ainda assim essas organizações tem seus custos e esses necssitam da caridade dos fiéis para manutenção destes.

Uma vez que a caridade é necessária à organização, ela também é incentivada pelo prazer (liberação de serotonina) causado pela doação, onde o indivíduo sente satisfação ao realizar uma boa obra, conforme as religiões estas obras são benéficas à comunidade e a Deus que jubilasse pela graça. Mas essa “graça” muitas vezes é cobrada, e porque não extorquida do fiel que sofre cobranças e danos morais em frente a toda comunidade quando não pode colaborar. Hoje que fala-se tanto de bullying não se faz nada a respeito desse comportamento deplorável dessas “religiões”, pois nosso estado “laico” concede a liberdade de culto e sendo para muitas delas essa “caridade compulsória” um dogma não se pode fazer nada quanto a este aspecto, cabe apenas ao indivíduo não prestar-se a este tipo de humilhação, pois a religião é sim o ópio do povo como foi dito acima, mas ela deveria ser uma forma de obtenção de satisfação com preço mínimo e sem os malefícios dos outros vícios, mas se uma prática lhe causa mal estar, você deve deixá-la, e se não consegue deixá-la, amigo você precisa de ajuda pois está viciado, e a maior parte das religiões condena os vícios.

Deus não é um vício, a espiritualidade liberta, se não for este seu objetivo há algo muito errado com sua religião. A caridade deve ser dada de bom grado pois:

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria”.
– 2 Coríntios 9:7

Anúncios
Esse post foi publicado em Ocultismo. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para A Caridade e a Religião

  1. Eliane disse:

    Fazia muito tempo que eu não lia algo tão bonito, vou espalhar esta leitura nos 4 cantos do planeta ou quantos existirem…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s