Os Vigilantes

Popularizado pelo filme “Anjos Rebeldes” (“The Prophecy”, 1995), a ideia de Nefilins e de anjos que se rebelam contra Deus – seja por ciúme ou por desejo de poder – acabou por permear nosso inconsciente coletivo e ganhar seu lugar na sociedade atual, sendo hoje trama principal de incontáveis contos e romances. Apesar da “rebelião” mais conhecida ser a supostamente liderada por Lúcifer para tomar o controle dos céus (sem bases teológicas reais para a existência do mito) uma que acabou sendo esquecida mas que é de grande importância é a origem do termo Nephilim (desertor, caído), a dos Grigori.

Os Vigilantes, dos livros de Daniel e principalmente de Enoch, é como são chamados os anjos que receberam a missão de permanecer junto à humanidade, como vigias e conselheiros. Os Vigilantes (“a watcher, a holy one”) teoricamente teriam permanecido junto à humanidade, muitas vezes se infiltrando em sua sociedade para permanecer como conselheiros, como irmãos mais velhos, vigiando os caçulas. Entre os “Santos Vigias” estão também o nome de arcanjos e dos “anjos do juízo final”, Miguel, Rafael, Gabriel, Uriel e toda trupe. Porém há também os caídos entre estes, os “anjos do pacto”.

Do alto do Monte Hermom (o “Monte do Acordo/Aliança) um dos líderes dos Vigilantes, Samyaza, convence outros onze generais a unirem-se a ele em pacto para que eles pudessem ensinar as “ciências proibidas” aos humanos e que pudessem deitar-se com as mulheres (as filhas de Seth) para viver entre os homens. Muitas versões derivaram a partir desta, viver, reinar, multiplicar, mas independente disso, o fato é que Samyaza forma aliança e junto com 200 anjos decide ter com as filhas dos homens e todos concordam que receberiam qualquer punição de forma igual, dividiriam a culpa por seus atos. Ao viver junto aos humanos esses anjos teriam se “corrompido” tornando-se mais humanos e passíveis de erros como os estes.

O Livro de Enoch nos traz que da união entre os anjos e as humanas teriam nascido os nefilins, “gigantes” de grande poder (lembrando que “gigantes” também pode ter sentido figurado e que os heróis das lendas gregas também recebiam este título) e que estes foram perversos e passaram a ser idolatrados pelos humanos. Uriel, príncipe dos anjos (arcanjo) teria visto o que estes vigilantes haviam feito e o que seus filhos faziam, como eram adorados e levou o caso ao conselho dos arcanjos, vindo de Deus então a ordem para captura e punição dos anjos que haviam violado a regra de não procriar com humanos e arquitetando o dilúvio que tinha a intenção de destruir os nefilins.

Estes anjos foram aprisionados e entre os Vigilantes ficaram conhecidos como os “Grigori” e Enoch os localiza no Quinto Céu, o termo Grigori deriva do vocábulo grego “egrogorol” ou “egregoroi” em suas traduções, que significa Vigilante, mas corriqueiramente é usado o termo Grigori mesmo, e este é usado atualmente como Egrégora. Eliphas Lévi caracteriza as egrégoras (egregors) como a tradição dos pais dos nefilins, que causaram grande mal por não levar em em consideração a existência humana, sendo mais tarde adotado por várias tradições místicas hoje como uma forma-pensamento, um grupo de pessoas que se reúne com um propósito em comparação ao pacto realizado pelos revoltosos e por sua cumplicidade em dividir os benefícios e punições que poderiam advir com suas ações.

Por enquanto gostaria de deixar o texto apenas para reflexão a respeito dos Grigori e da convivência entre humanos e anjos neste inspirado livro do profeta Enoch. Lembrando sempre que os grandes livros nos contam estórias baseadas em visões e que estas são imagens, fábulas para estimular nosso inconsciente com imagens e nos remeteram a seus significados. Em outra oportunidade analisaremos melhor as visões de Enoch e as atitudes dos Grigori.

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2 respostas para Os Vigilantes

  1. Colorado doente disse:

    Texto excelente e bem compreensível. Gostei. Parabéns, cada vez me amarro mais nos teus textos.

    • katani disse:

      aonde param estes grigori nos nossos dias e tempos?

      @Ketalel: Katani, os grigori como os anjos, são esteriótipos, arquétipos e continuam a existir no astral. Lembrando que alguns dos Grigori citados são “Anciões”, isto é, fazem parte do “clube da criação”, que existiam antes do universo e continuarão a existir depois dele. Alguns ainda são usados por magos em invocações que particularmente está relacionada com seus domínios.

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