Anjos

A palavra anjo tem sua origem do grego “ággelos” e do latim “angelus” que significa mensageiro, sendo o termo hebraico malakin, tendo significado de mensageiro ou emissário. Os anjos são criaturas de luz, provenientes de um plano superior que se manifestam em auxílio aos suplicantes e aos necessitados. No astral os anjos são raramente vistos, apenas aparecendo para execução de missões específicas, porém são mais comuns em planos mais elevados e sutis, sendo conselheiros e guardiões, manifestados em luz pura, sendo essa sua natureza e sinal de sua pureza e elevação junto a Deus.

Temos hoje escolas que se especializam em estudo dos anjos e suas divisões e hierarquias, sendo um senso comum para a maior parte das pessoas, ao menos três nomes principais que aparecem nos textos sagrados populares (Gabriel, Miguel e Rafael). Porém os anjos passaram a ser conhecidos pelo povo em geral a partir da unificação do cristianismo e sua instituição como religião oficial de Roma, por Constantino, um imperador e sacerdote pagão. E é assim que se populariza a imagem que temos hoje deles: a auréola, sendo um legado da cultura egípcia, o disco solar, um sinal de iluminação; as asas, que implicam a velocidade para a execução de seus afazeres; a trombeta, um sinal de poder e autoridade pela palavra; e por fim as vestes, sendo uma túnica grega feminina… feminina? Sim, as vestes dos anjos como são usadas popularmente, na verdade é uma túnica feminina grega, pois sua imagem foi assimilada por Constantino para ser semelhante à imagem da deusa Niké, deusa da vitória, constantemente pousada no ombro ou palma direita de Athena, deusa da sabedoria. Nice (ou Niké), como os anjos também era veloz (possuía asas) e era ela a responsável por garantir a vitória da deusa da sabedoria em suas batalhas.

Outros acessórios constantemente associados aos anjos como a espada também tem suas origens em deuses e espíritos de outras culturas, como a figura de mensageiros é comum a religiões como a muçulmana, judaica, hindu e budista, tendo as mesmas características, mudando o nome ou “filiação”, cada religião levando-os a seu próprio deus ou princípio.

Mas sendo cristãos, judaicos ou hindus, os anjos sempre estiveram presentes e sempre com missões que levavam a iluminação dos povos, uma presença constante auxiliando a humanidade. Isso nos lembra certas religiões onde depois de ascendidas, as almas auxiliam no equilíbrio do planeta e assessoram Deus, na verdade se os anjos já foram humanos em algum ponto da história do universo, não sabemos, principalmente pelo fato de que eles não costumam falar de suas origens e sim de seus objetivos.

No estudo cabalístico, associamos anjos às esferas da árvore da vida e a seus caminhos (assim surgem os populares anjos cabalísticos), cada um representando um aspecto de Deus. Associar entidades à emanações de Deus é comum desde o antigo Egito, onde os “nefer”, que hoje são considerados os deuses egípcios, não eram nada mais que emanações de um deus único e superior (Aton ou Amom-Rá), mas por que separar Deus em vários aspectos diferentes? Talvez para maior compreensão, Deus é tudo, mas estudar TUDO ao mesmo tempo é complexo, logo certos aspectos são separados para serem estudados de forma mais completa separadamente. Assim, um anjo não é um deus, mas está muito próximo de Deus, tendo um poder incomparável, porém por opção atuando apenas como mensageiro da divindade e como conselheiro aos profetas e iluminados.

Portanto ao realizar o Ritual Menor do Pentagrama, você está invocando aspectos de Deus. E assim, mesmo que tenha existido um arcanjo Gabriel original, este dificilmente virá à uma invocação, mas virá um representante da idéia que se relaciona à Gabriel (“Deus Enviou”), lembremos que no momento da sagrada concepção de Maria, Gabriel informa que o filho de Maria chamar-se-ia Emanuel (“Deus Entre Nós”), porém este fora batizado como Jesus (Yeshua). Logo apesar de termos vários nomes estamos relacionados à um idéia, essa idéia gerou nossa existência, bem como aos anjos, quando diz-se que uma entidade é um anjo, é como dizer que ela é funcionária em uma empresa, ao indicar sua hierarquia, estamos dizendo o setor na empresa onde ele trabalha, e ao impingir um nome, estamos indicando sua função junto à Deus. Os anjos não se interessam por fama, portanto não revelam seus nomes e sim sua função.

Sempre ouvimos que anjos não tem livre-arbítrio, sendo esta a diferença entre estes e os humanos, gerando muito material para a ficção que se esmera em batalhas épicas a este respeito. Mas essa falta de livre-arbítrio não é bem específica. Temos duas hipóteses:

1)      Anjos não tem qualquer livre-arbítrio ou liberdade, agindo conforme as ordens de Deus;

2)      Anjos tem liberdade, mas não livre arbítrio;

Na verdade livre-arbítrio é muito confundido com a liberdade, o livre-arbítrio é o poder de escolher suas ações, enquanto a liberdade é a ausência de submissão. Os textos sagrados nos trazem que os anjos são submissos a Deus e que por essa submissão à Ele o homem poderia ascender. A submissão à Deus como premissa da ascensão pode ter saído de moda, mas se levarmos em consideração a afirmação, a submissão caracteriza-se como uma opção, o ser humano opta pela submissão, e assim torna-se um iluminado, uma emanação de Deus. Quanto ao livre-arbítrio, nós humanos podem agir contra nossa natureza, nosso conceito, já anjos, por estarem intimamente relacionados à sua idéia original, sem o entrave da carne, sem dúvida, não tem essa opção. Anjos agem de acordo com o que suas naturezas definem, tem liberdade, desde que dentro destes padrões.

A parábola de Lúcifer nos mostra essa realidade. Lúcifer agiu contra o senso comum, indo contra Deus e suas ordens, porém não contra sua natureza. Apesar de ser um anjo Lúcifer (o “portador da luz”) tem por sua natureza ascender acima do estabelecido, o que é uma característica bem humana, a superação. Assim agiu conforme sua natureza (como Melkor nas crônicas de Tolkien), apesar de ser algo contra Deus, ainda assim era o seu objetivo de vida, logo era bem previsível – pessoalmente considero uma piada de mal gosto – mas possivelmente necessário para os fins.

Na verdade posso ficar discorrendo dias sobre filosofia angélica, porém o ponto que eu queria explanar já foi bem explicado, o conceito de anjo, seus nomes e a questão do livre-arbítrio. Em outra oportunidade trago mais informações sobre nossos irmãos mais velhos.

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