Estigmas

Significado de Estigma

“s.m. Marca, sinal.
Cicatriz que deixa uma chaga, uma doença: os estigmas da varíola.
Fig. Marca infamante; labéu, ferrete: os estigmas do vício.
Botânica. Parte superior do pistilo.
Zoologia. Orifício respiratório dos insetos, dos aracnídeos.
S.m.pl. Marcas semelhantes às das cinco chagas de Cristo crucificado, recebidas por alguns santos da Igreja católica”.

Na Sociologia:

“No discurso sociológico, o conceito de estigma assume quase sempre o significado que Erving Goffman (1922-82) lhe atribuiu na obra Stigma – Notes on the Management of Spoiled Identity, de 1963. O termo estigma, entre os antigos gregos, designava “sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de extraordinário ou de mau acerca do estatuto moral de quem os apresentava”; tratava-se de marcas corporais, feitas com cortes ou com fogo, que identificavam de imediato um escravo ou um criminoso, por exemplo. O conceito atual é mais amplo; considera-se estigmatizante qualquer característica, não necessariamente física ou visível, que não se coaduna com o quadro de expectativas sociais acerca de determinado indivíduo. Todas as sociedades definem categorias acerca dos atributos considerados naturais, normais e comuns do ser humano – o que Goffman designa por identidade social virtual. O indivíduo estigmatizado é aquele cuja identidade social real inclui um qualquer atributo que frustra as expectativas de normalidade.
Goffman distingue três tipos de estigma: as deformações físicas (deficiências motoras, auditivas, visuais, desfigurações do rosto, etc.), os desvios de carácter (distúrbios mentais, vícios, toxicodependências, doenças associadas ao comportamento sexual, reclusão prisional, etc.) e estigmas tribais (relacionados com a pertença a uma raça, nação ou religião).
Do ponto de vista da Sociologia, e particularmente da corrente interacionista simbólica, interessa sobretudo analisar as relações que se estabelecem entre os estigmatizados e os “normais”. Os contatos sociais com o portador de um estigma tendem a enfermar de insegurança e dificuldades de diverso cariz – por exemplo, não saber como reagir, se olhar ou não diretamente para o defeito visível, se auxiliar ou não a pessoa, se contar ou não uma anedota acerca desse “tipo” de pessoa. Qualquer que seja a conduta adotada, por ambas as partes, haverá, muitas vezes, a sensação de que o outro é capaz de ler significados não intencionais nas nossas ações. Esta é uma das razões que levam a que os indivíduos estigmatizados desenvolvam estratégias de encobrimento, por forma a garantir ao máximo uma vida normal”.

Wikipedia:

“Os estigmas são cada um dos cinco sinais que aparecem no corpo, nos mesmos pontos onde ocorreu a crucificação de Jesus Cristo, isto é, pés, punhos e tórax. Geralmente manifestam-se na sexta-feira santa e reproduzem as cinco chagas de Jesus.
Pelo que se tem conhecimento, o primeiro estigmatizado foi São Francisco de Assis (1182-1226), sendo que suas marcas perduraram por dois anos. Ao longo do tempo o estigma já se manifestou em milhares de pessoas, em diferentes regiões do mundo.
(…)
Os estigmatizados forma pessoas com um poder de fé acima da normalidade, e sua experiência religiosa os colocava tão próximos de Deus e de Suas maravilhas que ao mesmo tempo eram testados e colocados à prova diante de seus maiores temores e demônios, que chegavam a se transpor em forma da dor física através dos estigmas, as mesmas chagas de Cristo. A dor deles era tão profunda que sem nenhuma comprovação científica, sofriam em seus corpos as mesmas dores que Cristo sofreu na crucificação”.

Hoje muitos podem se considerar estigmatizados, principalmente pela sociedade, como a sociologia nos traz o estigma é apenas uma característica – na maior parte das vezes evidente – que atrai à pessoa a hostilidade de outrem. Apesar do governo “trabalhar” para “minimizar” o efeito desses estigmas sociais, culturais, raciais ou de orientação sexual na forma de legislações próprias e bolsas de auxílio material – que em opinião pessoal apenas agrava esse estigma – ainda hoje a sociedade possui preconceitos que faz as pessoas agirem de certa forma com pessoas as quais classificam como “diferentes da normalidade” ou diferentes de seu ideal de normalidade.

Ainda que se pregue a liberdade e igualdade como ideais sociais, nossa liberdade pessoal sempre foi limitada pela sociedade, seja em forma de lei – que pode ter boas intenções mas não alcança seu objetivo ou seu prejuízo à liberdade é maior do que seu benefício – ou na característica forma da pressão social. Hoje fala-se muito sobre bullying, sendo esses os “atos violência física ou psicológica, intencional e repetidos”, porém o bullying sempre aconteceu e apenas hoje faz-se grande alarde e prevenção para que não ocorra, talvez pela própria degradação da moralidade e do espírito humano essa propaganda sirva para prevenção de atos nefastos como grandes chacinas em escolas, o que não ocorria a algumas décadas, quando a vítima apenas guardava para si as violências sofridas e tentava aprender com elas. Esse que relata era uma vítima frequente da prática, porém não teve atos sórdidos contra seus iguais, pelo contrário o dito bullying apenas moldou ainda mais meu caráter e o desejo de auxílio à humanidade. Porém o bullying é apenas uma das ferramentas utilizadas da pressão social, sendo dentre outras a própria expectativa cultivada pela família em relação à criança e a forma da condução de sua educação para um modelo ideal o qual os pais nutrem, podando assim sistematicamente a escolha do indivíduo.

Mas como dito anteriormente quase todo indivíduo já sentiu discriminação por algum aspecto, por não enquadrar-se no grupo social, ou monetário, por seu modo de ser ou pensar, vestir ou crer é diverso ou não ideal ao grupo social, étnico ou etário onde está inserida. Muitos frequentadores de terreiros sentem-se discriminados quando tratados por evangélicos, social ou comercialmente, e infelizmente muitas vezes esses por sua vez são discriminados por católicos e estes por ateus e assim por diante, o ciclo de ódio apenas segue  se alimentando cada vez mais.

Na crença católica há também um tipo especial de estigma, quando a espiritualidade e fé do indivíduo se excede da normalidade, sendo esses considerados muitas vezes santos e pelas mesmas características podendo realizar milagres. Logo podemos concluir que os estigmatizados são por excelência iluminados, podendo realizar milagres (a Grande Obra do Magista). Porém quanto mais próximos de Deus sua fé era cada vez mais testadas, sendo estes colocados diante de sues temores e fustigados por demônios, na verdade essa peculiaridade é muito assemelhada às ordálias, os testes aos quais o magista é posto à prova em sua fé, mas no estigmatizado essa dor espiritual causada por essas ordálias transpõe as barreiras e torna-se física, na forma das chagas que Jesus recebeu ao ser crucificado, a saber as cinco chagas sendo a perfuração de mãos e pés, o açoite, a coroa de espinhos e a mais incomum sendo a ferida da lança de Longuinus no tórax. O estigmatizado sofre fisicamente por sua evolução espiritual, além da dor pelos ferimentos também carregando o cansaço pela perda de sangue e pelo fardo mental e espiritual que carrega.

A diferença entre as ordálias do cristão e do magista em si difere pouco, sendo que a mais evidente é o estigma, porém todos carregamos estigmas invisíveis, sejam sociais, mentais ou espirituais, todos carregamos nosso fardo por nosso estado de evolução atual. Infelizmente ainda hoje somos ensinados desde cedo à estigmatizar o diferente, temer o desconhecido e esta é possivelmente a pior característica humana, sendo mais evidente nas crianças através do bullying pois nestas o mal ensinado é fácil de detectar por sua inocência e às vítimas hoje é permitido falar e chorar seus sofrimentos aos coordenadores ou psicólogos, porém todos carregamos sofrimentos, hoje temos os maiores índices de transtornos psicológicos da história – dentre síndrome do pânico, depressão, etc – e não sabemos como lidar com esses sofrimentos, exteriorizando-os, trazendo-os ao físico da forma como podemos, não em chagas como às de cristo, mas em comportamentos erráticos e dores generalizadas.

Mas então quando nos veremos como iguais e livres, podendo fazer nossas escolhas e levar nossas vidas sem sofrer represálias, porque a liberdade de um fere tanto a outro se não lhe poda a própria liberdade? Somos todos um, seja você hetero ou homossexual, seja você caucasiano ou negro, umbandista ou evangélico, católico ou ateu, todos devemos ter a liberdade garantida por direito humano e não por leis erráticas e preconceituosas que ao tentar eliminar um preconceito apenas cria outro, devemos preservar o direito à escolha humano, mesmo que muitos façam escolhas terríveis com seu livre-arbítrio, ainda assim se Deus conferiu tal direito, quem somos nós a podá-lo?

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