O Aprendizado e o Mestre

Nos diversos métodos de ensino da espiritualidade vemos que são recomendados mestres ou guias. Mas e aquelas pessoas que acabam por desenvolver habilidades ou adquirir conhecimentos que são ensinados pelos mestres a séculos de forma instintiva ou por mérito próprio de pesquisa? São poucos, mas não devemos de forma alguma desconsiderar a habilidade nata como um fator importante em nosso meio. Então, por haverem essas pessoas raras que desenvolvem a disciplina e força suficiente para serem chamadas de despertas por mérito próprio, por que da existência clássica do mestre? Em primeiro lugar porque essas figuras iluminadas são raras, e em segundo lugar, mesmo que exista essa habilidade nata do postulante, ainda assim este ainda precisa de instrução, e aqui entra o mestre. Mesmo que em seu íntimo o discípulo tenha a capacidade de superar o mestre, a experiência e o conhecimento literário ainda são essenciais no processo de aprendizado da alma, assim o mestre faz-se necessário, mesmo que por pouco tempo, nem que seja apenas pela companhia humana, onde o iluminado aprenderá certos aspectos necessários da evolução espiritual, nem que seja apenas a tolerância.

 O conhecimento é como o ar ou a água, suave, fluído e sem forma. Ao entrar em uma senda do conhecimento é dada uma ordem a este conhecimento, se dá uma forma e um nome a ele, isso porque é mais fácil a nossa mente entender o conhecimento dessa forma, sendo que desde pequenos somos ensinados a solidificar a realidade. Nas escolas são selecionados apenas trecho das belas obras de física, química e filosofia, dentre as diversas ciências, e nos é ensinado com o objetivo de aprendermos e repetirmos. É ensinada com o objetivo de nos tornarmos um estereotipo do que se espera de um adulto, mas elas são incompletas e nos tornam lacunosos e defasados, sendo que se fosse lecionado o conhecimento integral, este nos libertaria e tornaria nosso mundo mais fluído e belo. Esse objetivo não é de todo mal, é a forma de lecionar a grandes quantidades de alunos, uma invenção grandiosa para os professores, mas nociva à nossa forma de vida, livre.

 Essa forma nos aprisiona e solidifica nossa forma de pensar, nossa capacidade de pensar e livre e nossa criatividade. Mas é útil para ensinar a grandes quantidades e para suprir de conhecimentos básicos os pequenos. É como nos primeiros graus de nossas sendas, onde nos são ensinadas “meias-verdades” com o objetivo de incitar ao estudante que ele busque as respostas por ele mesmo. Esse método de ensino é popular nas universidades, onde se direciona o aluno onde procurar as respostas e apenas se disponibiliza o professor para tirar as dúvidas. Mas o conhecimento verdadeiro é fluído e não encontra barreiras, ele flui ao redor dos obstáculos e direciona-se ao objetivo, assim também deve ser o adepto. O mestre está lá para lhe dar a base, para ensiná-lo onde buscar, ensinar formas e mostrar possibilidades, portas, mas depende do aluno atravessa-las.

 Com o tempo o aluno, com capacidades ou leigo em seu princípio, vê a verdade, é liberto da ilusão e vê a luz, nota que o conhecimento não é fixo, que varia de acordo com o nível de instrução do leitor e que alterá-se de tempos em tempos, nota que ele é fluído e sem forma, sem nome, e cabe a ele tomar os passos do mestre e ser seu próprio mestre. O melhor mestre é aquele que reside dentro de nossa própria mente, cabe a nós encontra-lo. Aprendemos à forma, para depois esquecê-la, para alcançar a verdade, ascendermos acima da ilusão deste mundo e libertar nosso mestre interior, para aprender com ele nossa própria verdade, aprender com o Deus de nosso coração, o único e verdadeiro. Esse é o caminho do adepto, do iluminado, conhecer a forma, mas criar as possibilidades de usá-la e altera-la conforme lhe convir.

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