Conceitos e Certezas

Ao tentar buscar uma maior compreensão sobre si mesmo e o universo em nossa volta o homem conceitua. Isto é natural da humanidade. Mas o que seria um conceito? Segundo o dicionário Aurélio, temos que é uma formulação de uma idéia por palavras. Também podemos apresentá-lo como sendo uma definição, concepção, pensamento, idéia ou opinião.

Utilizar conceitos, como já foi dito, é natural e ao se tratar de mente humana é inevitável, pois se não tivessémos conceitos não poderíamos nos comunicar. Veja uma gama de perguntas que levam a conceitos, para que você compreenda melhor: o que é utilizar ? O que é conceito ? O que é passado ? O que é dizer ? O que é natural ? E por aí vai.

Muitas vezes, por descuido, acabamos nos apegando a nossos “tão valiosos” conceitos, e a partir daí começa a germinação de algo que na maioria das vezes será muito prejudicial a nós mesmos e aos que nos cercam, a certeza. Devemos entender que nossos conceitos representam nossas verdades, que são relativas. Quando você diz que algo é ruim, será que este algo é ruim para o todo? Será que ele realmente é ruim para você? Antes de continuarmos vale ressaltar que estou afirmando que precisamos sim de conceitos, mas que estes sempre devem ser reavaliados.

A partir do momento em que surge a certeza absoluta, as possibilidades de continuarmos a nos desenvolver começam a diminuir rapidamente. Por quê ? Vamos diretamente a um exemplo ilustrativo para mais facilmente responder a esta pergunta: Se você está caminhando, e quer ir a uma banca de jornais. Você caminha, caminha, caminha até que , chega na banca. Está acabado, você simplesmente queria chegar na banca de jornais, e tende feito isto, acabou, você não tem mais nenhuma meta,pois tudo que desejava era apenas chegar à banca.

A certeza absoluta nos dá aquela sensação que já temos o que queríamos, logo, nos leva a estagnação pois a partir do momento que estamos “certos” sobre algo, já nos acharemos detentores do conhecimento sobre este objeto e não mais desenvolveremos nossas idéias sobre o mesmo.

Como toda semente tende a germinar, a partir do momento que damos muito espaço para nossas certezas tornarem-se absolutas, elas tendem a se proliferar, e aos poucos estaremos certos de cada vez mais e mais coisas e é aí que talvez esteja a mais ardilosa armadilha terrena que um indivíduo esteja sujeito, a loucura.

Precisamos de certezas , e “com certeza” precisamos de muitas, o que chamo atenção é para o fato de tornarmos tais certezas estéreis e de criarmos certezas o tempo todo. Tudo mundo precisa e deve acreditar em alguma coisa para a própria sanidade mental, o que expresso é que devemos ser sempre atentos para quais certezas temos.

O que, vulgarmente, chamamos loucura  pode ter diversas formas e causas. E isto se utilizarmos ainda um conceito simplório e superficial. Para definir e discursar um pouco, vou retirar o texto da Wikipedia sobre a loucura e depois continuaremos a discutir.

“A loucura ou insânia é segundo a psicologia uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados ‘anormais’ pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psicopatologia.

Algumas visões sobre loucura defendem que o sujeito não está doente da mente, mas pode simplesmente ser uma maneira diferente de ser julgado pela sociedade. Na visão da lei civil, a insanidade revoga obrigações legais e até atos cometidos contra a sociedade civil com diagnóstico prévio de psicólogos, julgados então como insanidade mental.

As significações da loucura mudaram ao longo da história. Na visão de Homero, os homens não passariam de bonecos à mercê dos deuses e teriam, por isso, seu destino conduzido pelos ‘moiras’, o que criava uma aparência de estarem possuídos, ao qual os gregos chamaram ‘mania’.

Para Sócrates, este fato geraria quatro tipos de loucuras: a profética, em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, o oráculo. A ritual, em que o louco se via conduzido ao êxtase através de danças e rituais, ao fim dos quais seria possuído por uma força exterior. A loucura amorosa, produzida por Afrodite, e a loucura poética, produzida pelas musas.

Philippe Pinel alterou significativamente a noção de loucura ao anexá-la à razão. Ao separar o louco do criminoso, afastou o aspecto de julgamento moral que constituía até então o principal parâmetro da definição da loucura.

Hegel afirmou que a loucura não seria a perda abstrata da razão: ‘A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente’. A loucura deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como ‘dentro do sujeito’, a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. Hegel tornou possível pensar a loucura como pertinente e necessária à dimensão humana, e afirmou que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela.”

Para continuar, vamos fazer uma observação. Perceba que todo “louco”, ao menos os que ainda conseguem se comunicar, estão cheios de certezas e estas são irrefutáveis e, na maioria dos casos, tende a causar alterações de humor e alucinações.

Lembrando e salientando que, o conceito de Loucura que utilizamos aqui é simplório e superficial (mas ainda é o adotado pela maioria dos psicologos, psiquiatras e outros profissionais modernos).

Já conheci pessoas com certezas absolutas que poderiam ser consideradas loucas. É o caso de uma garota que dizia ser mestre de guardião. Acreditava ter visto o Big Bang, fazer viagens astrais para Shamballa e o pior de tudo, dizia que uma vez o seu discípulo guardião se materializou e tinha 18 metros de altura (como ninguém o viu?).

Tome muito cuidado ao refletir, pois nossas idéias, sentimentos e sensações são muito mais “inconceituáveis” do que podemos imaginar. Lembre-se sempre, “não acredite no que ouve e nem em metade do que vê”.

Cuidado também ao aceitar as “fórmulas de sabedoria” que regularmente nos são apresentadas pois nossos sentimentos e idéias não são “números exatos” que podem ser facilmente somados, subtraídos, divididos, multiplicados e (talvez o mais “blásfemo”) correlacionados. Não somos equações Matemáticas.

Quando for pensar consigo mesmo ou dizer algo a um amigo, lembre-se sempre que todas as suas idéias, por mais geniais que possam parecer a você ou a outrem, são baseadas nos conceitos e como vemos, “conceitos são só conceitos” , tratando-se apenas de sua verdade, uma verdade relativa.

Por mais linda e fascinante que uma filosofia possa nos parecer devemos aceitar e compreender que ela é apenas mais um castelo de areia , mas nem por isso podemos desvalorizá-la pois nada impede um castelo de areia de ser belo e genial. Mas também não é por achá-lo lindo que você vai ir morar nele.

Deixo claro que não estou pregando o niilismo ou o ceticismo. Apenas estou apresentando o meu ponto de vista que é sempre refletir, mas ao mesmo tempo, evitar que suas conclusões tornem-se certezas absolutas e imutáveis.

Vi no O Alvorecer.

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